O mundo pós pandemia: quais são as profissões do futuro?

Thompson

A pandemia que assolou o mundo trouxe um novo cenário de reflexão. Muitas coisas que eram tendências de mercado, com a pandemia se aceleraram para serem implementadas. Consequentemente, as profissões do futuro também serão afetadas.

Impacto da tecnologia nas profissões do futuro

Há muito se fala sobre utilizar videoconferência como ferramenta de trabalho, e a resistência sempre foi grande – muito porque a grande maioria dos executivos que lideram as discussões estão nos seus 50 e 60 anos, e uma nova tecnologia a ser aprendida era sempre uma desculpa para as reuniões serem presenciais. 

É claro que existem inúmeras vantagens nas reuniões presenciais, mas existe também o menor custo e a conveniência de fazê-las à distância. Hoje se consegue fazer uma reunião com qualquer pessoa no mundo de qualquer cômodo da sua casa. Tenho um cliente em Belo Horizonte que não admitia que as reuniões fossem por videoconferência, pois exigia o olho no olho. Mas com a pandemia tudo mudou.

Há mais ou menos 20 anos desenvolvi um projeto de videoconferência para uma montadora e o investimento em equipamentos foi da ordem de 220 mil dólares, e mesmo assim não funcionava muito bem. Hoje tudo isso é de graça, e funciona maravilhosamente bem.  

A tecnologia entra sem pedir licença no nosso dia a dia. E a tendência é que em um mundo pós pandemia essa velocidade vai se acelerar ainda mais.

Quais profissões não existirão no futuro?

Muitas das profissões que vemos hoje estão com os dias contados. Vamos para alguns exemplos:

Contador: os sistemas estão ficando cada vez mais inteligentes, a receita federal está cada vez se aprimorando mais para poder aumentar a arrecadação. Em um prazo muito curto de tempo a receita federal será capaz de montar o balanço de cada empresa e definir criteriosamente qual será o imposto a ser pago sem precisar que a empresa envie qualquer informação para ela. A profissão de contador vai acabar.

Advogado: inteligência artificial é excelente para entender regras e utilizá-las. Um advogado é um profissional que entende as leis e monta uma argumentação dos motivos em que o juiz deve opinar, pois o seu cliente é inocente. O advogado de acusação faz o inverso. O sistema é falho, pois dependendo da experiência e conhecimento de cada parte, uma pequena omissão pode gerar um veredito errado. Isso tudo será corrigido com inteligência artificial que poderá definir claramente se houve ou não uma ilegalidade.

Motoristas: Os veículos sem motoristas já são uma realidade, e em um curto tempo esses veículos substituirão taxistas, motoristas de caminhões e motoristas de aplicativos em geral. Podemos passar o dia todo listando uma infinidade de profissões que não possuem mais nenhum apelo para continuarem a existir. Mas vamos pensar agora quais profissões serão criadas no mundo pós pandemia.

Quais as profissões do futuro no mundo pós pandemia?

Para pensar quais as profissões que não terão futuro com todo os avanços do mundo, precisamos pensar em quais tendências de comportamento da sociedade também serão provocadas.

1. As pessoas cada vez se locomoverão menos

A posse de um veículo não será mais objeto de desejo. O mundo de serviços sairá da posição de ter um lugar físico onde as pessoas se dirijam a ele. O futuro está relacionado ao profissional que se deslocará até o cliente. Minha esposa sempre fala: “você diz isso pois não sabe o que é pintar os cabelos em casa”. Mas quando existe uma tendência, todas as invenções focam na tendência. 

As dificuldades em executar o trabalho à distância serão solucionados, como foi solucionado a dificuldade em se fazer as videoconferências. Os imóveis nas megalópoles perderão valor, serão menores e mais funcionais. Existe a possibilidade das pessoas locarem imóveis por pouco tempo para poderem ter várias experiências em morar em vários locais diferentes durante a vida. 

Profissões como controladores de drones e programadores de realidade aumentada estarão em alta.

2. A informação estará cada vez mais disponível

O grande desafio será identificar se a informação é verdadeira. A radicalização das posições da sociedade serão cada vez maiores, e a informação estará cada vez mais disponível, em uma velocidade cada vez maior. Devices serão criadas para a recepção e depuração das informações recebidas.  

Ter conhecimento não será mais um diferencial competitivo. Todo professor de história sabe disso. Se ele disser que um personagem importante da história nasceu em uma determinada data, ele precisa ter certeza de que realmente a data está correta, pois será checado pela grande maioria dos estudantes que estarão na sala de aula. 

Mais importante do que ter a informação será saber o que fazer com ela. Nesse tema entram as novas carreiras de analistas de informação, validador de fake news, etc.

3. Robôs assumirão as tarefas repetitivas

Atividades que são repetitivas e que podem ser realizadas por robôs, serão realizadas por robôs. Programadores de robôs e engenheiros de mecatrônica estarão em alta.

4. Marketing digital assumirá toda a comunicação entre as empresas e os clientes

Não é de hoje que se fala que a TV aberta está com os dias contados. A tecnologia streammer já é uma realidade no mundo. Não é mais necessária uma antena para onde a programação do dia será transmitida e envida para a casa das pessoas, onde eram captadas por uma antena acima da TV. 

A TV a cabo também está com os seus dias contados. Tudo será streammer e pela internet. Todas as empresas de TV aberta estão em crise e se adaptando à nova realidade. Marketing digital hoje é uma realidade para qualquer orçamento de marketing. 

Todas as profissões relacionadas com marketing digital estão em alta e continuarão por um bom tempo.

5. Muitas opções gerará indecisões

Como a informação estará à disposição sem custo e as ferramentas de criação de cenários serão conhecidas, ainda teremos um problema a ser solucionado: qual decisão tomar? Teremos consultores para todo o tipo de necessidade, com foco em apoiar a tomada de decisão:

  • consultores sentimentais: para a orientação sobre relacionamentos;
  • consultores espirituais: para guiar a espiritualidade de seus adeptos
  • consultores financeiros: para garantir as finanças da pessoa
  • consultores empresariais: para auxiliar as melhores decisões nas empresas  

Só para termos alguns exemplos, mas a lista poderia ser muito extensa.

Mas, o que é um consultor?

Esta pergunta pode ser formulada a qualquer momento no processo de decisão por uma carreira. Um consultor é um profissional que apoia a decisão de uma pessoa sobre algum assunto, utilizando: seus conhecimentos, a informação disponível e sua experiência. 

Quando vamos nos consultar no médico, ele naquele momento é um consultor de nossa saúde, pois ele vai utilizar o conhecimento dele para identificar qual é a causa do seu desconforto. Em medicina o mais difícil é identificar a causa do problema, pois depois que o problema foi identificado, a responsabilidade do médico é seguir o protocolo da cura. 

Hoje em dia, depois que se sai de uma sala de exame, com o resultado na mão, podemos entrar na internet para pesquisar sobre tudo o que foi identificado. Mas mesmo depois de todas as consultas, queremos a garantia de que o que estamos pensando está certo e, portanto, vamos nos consultar com o médico. 

O consultor empresarial é a mesma coisa, só que ao invés de fazer todas essas análises com uma pessoa física, a análise é realizada com a empresa, uma pessoa jurídica. 

O que faz um consultor empresarial?

Imagine que todos os problemas que uma empresa possui para se apresentar com excelência operacional para o mercado e para os seus clientes estejam solucionados – ou seja, o que chamamos de 4P´s esteja resolvido. 

O que são os 4P´s? Os 4 P´s estão relacionados a Produto, Place (Prazo e Lugar), Preço e Promoção. O desejo do cliente é que o produto seja exatamente o que ele quer, chegando no prazo e no local previamente acordado, com um preço justo e com algum tipo de promoção na qual o cliente acredite que tenha levado alguma vantagem.

Mesmo que isso tudo fosse possível, o principal problema é que o cliente muda de opinião constantemente. 

O consultor empresarial é o responsável em municiar o empresário de ferramentas para sua busca incessante pela Excelência Operacional. E quando identificado o que necessita ser realizado, de forma análoga a um médico, segue o protocolo, que no caso da consultoria é uma metodologia, para solucionar o problema identificado.

O consultor é o responsável em administrar todos os recursos necessários para que as mudanças e transformação necessárias em ocorrerem na empresa para ter Excelência Operacional seja resolvido.

Quais as principais características e habilidades de um bom consultor?

Para ser um bom consultor é necessário inicialmente ser bom em algum assunto. Pode ser para qualquer assunto, mas para um profissional ser capaz de ser consultado por alguém, o profissional tem que ter a “autoridade”, ser considerado um especialista.

A “autoridade” pode vir pelas credenciais do consultor, formação educacional ou experiência prática no tema. Em consultoria empresarial é a mesma coisa. Dividimos as necessidades de conhecimento em duas áreas: 

1. Conhecimento do Mercado: para ser capaz de orientar o cliente sobre algum assunto no mercado onde ele atua, o consultor tem que ser um especialista nesse mercado;

2. Conhecimento da função de negócio específica da necessidade do cliente: Por exemplo, uma função poderia ser finanças, outra poderia ser Recursos Humanos. 

A junção entre o conhecimento do mercado e de uma função específica nesse mercado fazem com que o consultor seja procurado por empresas para que lhe prestem serviços de consultoria. 

A primeira habilidade necessária para qualquer consultor é a empatia, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do cliente. A segunda é ter capacidade de ouvir o cliente e identificar hipóteses que possam ser testadas e por meio de fatos e dados sejam solucionadas. E a terceira é ser capaz de criar um relacionamento de longo prazo com clientes, tendo que em alguns momentos discordar sem perder o relacionamento e o respeito conquistado. 

Mas quais são as vantagens de ser um consultor?

Como toda profissão, existem inúmeras vantagens e desvantagens em seguir a carreira em consultoria. Para mim a grande vantagem é ser dono da própria agenda. Consultor monta a agenda de trabalho conforme a disponibilidade dele.

Se ele não quer trabalhar as sextas-feiras, essas podem ser excluídas da agenda. A liberdade de não ter uma agenda é gigantesca. A segunda grande vantagem é a exposição a novas ideias e novos desafios todos os dias.

No meu caso de manhã posso estar falando de transportes de carga e a tarde analisando custos de um laboratório farmacêutico. 

Profissões do futuro: consultoria empresarial

O foco da minha discussão é sobre os consultores empresariais. O mundo da consultoria empresarial está em franca mudança. Tudo o que for orientado a ensinar um procedimento para o cliente também será automatizado, pelo que chamaremos de CONSULTORIA DIGITAL. 

Essa revolução já está ocorrendo com plataformas dirigidas que digitalizam os procedimentos da consultoria, mas ainda existirá um momento no ambiente empresarial em que um consultor será muito necessário, no auxílio à tomada de decisão. 

Serão muitas opções, e a função do consultor será orientar sobre as vantagens e desvantagens de cada opção a ser tomada. Consultoria empresarial ainda estará em alta por muito tempo. 

Porém, este novo contexto de transformações exigirá consultores cada vez mais capacitados e preparados para lidar com diferentes tipos de complexidade, o que irá impor ao consultor, o desenvolvimento constante de novas competências e habilidades. 

O consultor de sucesso, assim como qualquer profissional, sempre será aquele que nunca para de aprender!

Por Ronaldo Nuzzi
Por Ronaldo Nuzzi
Graduado em Matemáticas Aplicadas pela PUC-SP, com pós-graduação e MBA pelo Institut Superieur de Gestion (ISG-Paris) e OPM pela Harvard Business School, Ronaldo Nuzzi é sócio da Thompson Management Horizons. Há mais de 25 anos, atua com consultoria de gestão estratégica em projetos, no Brasil e no Exterior, envolvendo turnaround de médias e grandes empresas, reposicionamento mercadológico de divisões e de produtos, acompanhamento de processos de M&A, restruturação financeira, implementação de Centros de Serviços Compartilhados, entre inúmeras outras especializações. Antes de fazer parte da TMH, foi consultor sênior da Booz Allen & Hamilton e consultor da Ernst & Whinney (atual EY). É autor dos livros “8 Estratégias Imprescindíveis para o sucesso de uma empresa” e “Venda Certa”.
Por Ronaldo Nuzzi
Por Ronaldo Nuzzi
Graduado em Matemáticas Aplicadas pela PUC-SP, com pós-graduação e MBA pelo Institut Superieur de Gestion (ISG-Paris) e OPM pela Harvard Business School, Ronaldo Nuzzi é sócio da Thompson Management Horizons. Há mais de 25 anos, atua com consultoria de gestão estratégica em projetos, no Brasil e no Exterior, envolvendo turnaround de médias e grandes empresas, reposicionamento mercadológico de divisões e de produtos, acompanhamento de processos de M&A, restruturação financeira, implementação de Centros de Serviços Compartilhados, entre inúmeras outras especializações. Antes de fazer parte da TMH, foi consultor sênior da Booz Allen & Hamilton e consultor da Ernst & Whinney (atual EY). É autor dos livros “8 Estratégias Imprescindíveis para o sucesso de uma empresa” e “Venda Certa”.