Como Planejar a Transição de Carreira

Thompson

Acredito que exista um momento na carreira de qualquer pessoa onde o desejo de continuar fazendo o que se faz no dia a dia termine. A pessoa não deseja mais ir para a trabalho, pois esse se torna um fardo e ela começa a pensar em uma possível transição de carreira. 

Tudo aquilo que afeta nossa mente também afeta nosso corpo físico, desencadeando doenças relacionadas com a frustração com o trabalho que se exerce. A Síndrome de Burnout é um exemplo: um distúrbio emocional causado pelo esgotamento físico e mental intenso; o estresse se apresenta como um problema de saúde e derruba o profissional.

O trabalho tem que ser prazeroso, eu digo para todo mundo, e não me canso de repetir: “eu tenho pena de quem trabalha, pois eu me divirto”. Se não existe mais prazer em fazer o que se faz, é hora de mudar. Nesse momento entra o que chamamos de Transição de Carreira. 

O que é transição de carreira?

A transição de carreira pode ser horizontal, onde o profissional continua fazendo a mesma coisa, apenas mudando de empresa no mesmo mercado ou em outro mercado qualquer; ou pode ser vertical, mudando completamente de atividade e profissão. 

Para entender o que necessita mudar, existem duas perguntas a serem respondidas: 

  • Eu não estou feliz com o trabalho que faço ou com as pessoas com quem convivo? Se esse é seu caso, o problema é a empresa.
  • Eu estou cansado de fazer o que eu faço e necessito de uma nova profissão? Seu problema é a profissão.

É claro que trocar apenas de empresa e se manter na profissão atual é mais simples, e exige menos esforço. Trocar de profissão exige se habilitar a enfrentar os desafios da nova profissão, e isso normalmente envolve investimento financeiro e tempo. Logo para qualquer transição é necessário planejamento. 

Como começar a planejar uma transição de carreira?

O planejamento da transição de carreira inicia com muito estudo. O que vai ocorrer diferente do que ocorre hoje na nova carreira que eu vou seguir?

Para responder essa pergunta de forma profissional, é necessário entrevistar profissionais que “abraçaram” essa nova carreira para entender claramente quais são as oportunidades e as ameaças. Tem que fazer uma análise profunda de suas habilidades e de seus conhecimentos para identificar o que você precisa aprender para ter destaque nessa nova carreira.

O mais importante no processo de transição de carreira é a NÃO dependência financeira de resultados imediatos na nova carreira. Como tudo o que é novo, até que realmente a nova carreira comece a trazer bons resultados financeiros, leva tempo.

Se a sua nova carreira é como profissional de uma empresa, você terá que iniciar na base da pirâmide até ter conhecimento suficiente para ter um bom rendimento; se você iniciar como profissional liberal, em qualquer carreira, vai acontecer a mesma coisa.

Por isso é importante ter uma reserva financeira para fazer essa transição. Normalmente falamos em 5 vezes as suas necessidades mensais depositadas no banco e livres para serem utilizadas. Pode ser que você não precise, mas a reserva financeira tem que existir.

Qual é a hora certa de fazer uma transição de carreira?

A pergunta qual é a hora certa de fazer uma transição de carreira é a mesma coisa que perguntar: “qual é a hora certa de terminar um casamento”. Não existe hora certa, existe uma necessidade de mudança. Uma infelicidade com a vida que se está levando. Nascemos para sermos felizes, se não estamos felizes é hora de mudar. Contudo apenas faça os movimentos de mudança quando você tiver certeza de que a mudança te fará bem, e que você estudou bastante a sua nova carreira.

Como saber se estou pronto para uma transição de carreira?

Acredito que por mais que nos preparemos para realizar a mudança, nunca vamos nos sentir preparados. Qualquer mudança exige uma dose de ousadia. Temos muita dificuldade em sair de uma situação, que mesmo que seja ruim, nós conhecemos, para uma situação que imaginamos seja melhor, mas não conhecemos. Portanto quando você se sentir pronto para ser questionado sobre a profissão, o que é necessário, quais são os desafios e quais são as oportunidades; você estará pronto para mudar.

Quais os principais mitos sobre transição de carreira?

Quando você começar a pensar em mudar de carreira, você certamente terá que enfrentar alguns dos mitos mais comuns desse processo, eu vou listar a seguir os sete que são mais comuns, mesmo que existam muitos outros:

Mito 1: Ninguém gosta de trabalhar, só fazemos isso para pagar as contas, logo tanto faz onde se trabalha!

Volto a dizer: “eu tenho pena de quem trabalha, pois eu me divirto”. Sim, trabalho não precisa ser um fardo. O que você tem que buscar é o que te satisfaz. E isso é muito antes de pensar quanto você vai ganhar. Ganhar dinheiro é claro que é bom, mas quando se faz o que gosta, se faz bem, e o dinheiro acaba sendo consequência. Existe uma relação direta em quem ganha bem no que faz, e está satisfeito com suas escolhas.

Mito 2: Só é feliz no que faz quem ganha bem!

Outra contradição, se dinheiro trouxesse felicidade, não teríamos suicídios nas famílias ricas. Uma verdade é que a falta de dinheiro traz infelicidade, pois temos que aprender a viver com o que conseguimos ganhar. Mas um bom salário não está diretamente relacionado a felicidade no que se faz. O senso de realização pode ser conseguido de várias maneiras, e uma delas é o trabalho. Se você está infeliz, e nas suas análises o motivo é o trabalho, mude, independentemente de quanto você ganhe.

Mito 3: Somente quando se é jovem se consegue mudar de carreira

Eu conheço jovens de 30 anos que estão hiper felizes com as escolhas que fizeram, e conheço pessoas de 60 que estão infelizes há décadas. O problema é que temos que tomar a decisão muito cedo sobre qual carreira seguir. Com 17 ou 18 anos não estamos ainda preparados para tomar uma decisão de carreira. E é nessa idade que temos que fazer vestibular e decidir por uma carreira. É claro que muita gente erre. Tenha claro os seus objetivos, mas se você não está feliz, refaça o seu planejamento e busque novos objetivos, seja qual for a sua idade.

Mito 4: Quem muda de carreira perde tudo o que conquistou nos anos que trabalhou na carreira anterior

Na vida, a única coisa que temos certeza de que não vamos perder é a nossa experiência. Nossa experiência anterior, seja na área que for, nos habilita em inúmeras situações a qual chamamos de maturidade empresarial. Essa maturidade empresarial nos permite trabalhar melhor com pessoas, processos, finanças, vendas, etc. Esse legado conquistado jamais será perdido, e por mínimo que seja necessário na nova profissão, ele sempre estará lá a sua disposição. É claro que quando mudamos, quanto mais diferente for o que vamos fazer, menos sinergias conseguimos com a profissão anterior. Mas uma das habilidades que o bom profissional sempre tem é a habilidade de aprender coisas novas.

Mito 5: Somente consigo fazer uma transição de carreira se contratar uma empresa para me ajudar

Ajuda nunca é demais, mas não existe uma relação direta entre a transição de carreira e a necessidade de uma ajuda especializada. Quem tem que decidir pela nova carreira é você, e todas as informações necessárias para se conhecer a nova carreira estão disponíveis. Hoje a informação sobre tudo e sobre todos é pública. Existe uma variedade de livros sobre o tema, existe uma imensidão de artigos escritos sobre praticamente todas as carreiras disponíveis no mundo. A transição de carreira é uma decisão pessoal, você pode se municiar de muita informação para tomar essa decisão. Mas no final, ela será sua, somente sua.

Mito 6: Somente consigo fazer uma transição se tiver tudo planejado nos mínimos detalhes

Por mais que você faça pesquisas e entrevistas, o volume de informação nunca será o suficiente para você ter certeza que todas as possibilidades estão cobertas. Em uma transição de carreira existe sempre o imponderável, aquela pergunta que você não fez e somente vai descobrir isso quando já tiver tomada a decisão. A melhor recomendação nesse caso é você ter respondido as principais perguntas sobre a nova carreira e conhecer como será a sua rotina após abraçar essa nova carreira. 

Mito 7: Eu não posso errar

O objetivo em estudar como fazer a transição de carreira é minimizar ao máximo a possibilidade de erro. Mas o erro sempre poderá estar presente. Você pode ter escolhido a carreira certa, mas na empresa errada. E dessa frase podemos derivar inúmeras outras sempre relacionadas a algum erro na seleção. Contudo a transição de carreira poderá ocorrer em qualquer momento da vida, pois nós também mudamos. Se pensarmos no que gostamos hoje, no futuro podemos gostar de outras coisas. Logo a carreira não pode ser uma coisa estática, se nos mudamos a carreira também pode mudar. O único problema é que a cada erro desperdiçamos tempo e dinheiro.

O que eu preciso saber antes de decidir trocar de carreira?

Existem dez perguntas que são fundamentais no processo de analisar uma nova carreira:

  1. Qual é a rotina dessa carreira, ou seja, o que vou fazer todos os dias?
  2. Onde vou trabalhar e com quem vou me relacionar?
  3. Qual é o conhecimento e habilidades necessárias, e como elas estão relacionados com as minhas habilidades e meus conhecimentos adquiridos anteriormente?
  4. O que eu preciso aprender e quanto tempo terei para fazer isso?
  5. Como ocorre o crescimento nessa carreira e quais são as possibilidades de ganhos?
  6. O estilo de vida das pessoas que trabalham nessa profissão está em linha com o estilo de vida que eu almejo para mim?
  7. Se eu entrevistasse profissionais nesse mercado, quais seriam as perguntas que eu gostaria que eles respondessem sobre como ser sucesso nessa carreira?
  8. Qual é o nível de dificuldade de iniciar trabalhando nessa carreira?
  9. Existem programas de treinamento para me capacitar com conhecimento para exercer essa carreira? Quais são e como ocorrem?
  10. Qual seria a reserva financeira necessária para que eu possa iniciar nessa nova carreira sem necessitar da receita que essa nova carreira irá me prover?

Profissões do futuro como plano B para transição de carreira

Não se consegue mudar de empresa ou de profissão como se muda de camisa. O mais importante é entender o que se deseja, o que é necessário aprender, e se programar para que se esteja preparado para quando a oportunidade aparecer. Muita gente acredita em sorte, eu não acredito. Eu acredito em oportunidade e preparação. Se você se preparar, vai surgir a oportunidade, e todos vão dizer que você teve sorte.

Independentemente da sua situação na empresa que você está agora, tudo pode mudar a qualquer momento. Mesmo que você esteja satisfeito com o que está fazendo hoje, tenha um plano “B” pronto para ser utilizado se for necessário. 

Uma forma inteligente de pensar no futuro é guardar a opção de consultoria empresarial como uma possibilidade de carreira. Se você tem mais de 5 anos de experiência em qualquer função empresarial, você poderia ser um consultor. Um consultor é um profissional que possui habilidades desenvolvidas em alguma atividade que o mercado necessite. 

As habilidades podem ser na área comercial, crédito, logística, distribuição, produção, compras, contabilidade, contas a receber contas a pagar, engenharia, etc. 

Pense: “eu entendo profundamente de um tema que eu possa ensinar para outras pessoas como fazer melhor?” – se a resposta for sim, você poderia ser um consultor.

Transição de carreira para consultoria

Pense comigo, precisamos de um eletricista? Quando temos qualquer problema elétrico em casa chamamos um eletricista. Como funciona esse processo de “chamar um eletricista”? Você possivelmente buscará indicação de profissionais que possam executar esse serviço para você, seja um profissional ou seja uma empresa. Serviços funcionam por indicação. 

Em consultoria é a mesma coisa. 

Mesmo que você seja independente, o ideal é você se vincular a alguma consultoria.

Quero fazer uma transição de carreira e me tornar um consultor

Na THOMPSON possuímos quatro pilares de crescimento da empresa. 

O primeiro pilar é GENTE, ter profissionais preparados para atender as necessidades de nossos clientes. 

O segundo pilar é ter METODOLOGIAS, bem desenvolvidas e vastamente aplicadas e com comprovação de eficiência. 

O terceiro é ter TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, composta de ferramentas de robotização, data analytics e inteligência artificial. 

E o quarto e último pilar é o RELACIONAMENTO de longo prazo com clientes e com o mercado.

Para fazer com que o primeiro pilar realmente funcionasse desenvolvemos um programa chamado FCT (Formação de Consultores Thompson). O programa ocorre todos os meses no formato EAD, com vídeos aulas a cada 15 dias. O objetivo é utilizar o conhecimento do participante em questões empresariais, e ensinar as metodologias utilizadas pela THOMPSON para a solução de problemas.

A grande maioria dos profissionais que hoje trabalham na THOMPSON vieram desse programa.

Logo, quando você começar a planejar a sua transição de carreira, ou a criação de um plano “b”, pense em incluir consultoria de gestão em suas opções, pois ela será sempre um coringa a ser utilizado em qualquer necessidade futura.

Para mais informações sobre esse programa clique aqui!

Por Ronaldo Nuzzi
Por Ronaldo Nuzzi
Graduado em Matemáticas Aplicadas pela PUC-SP, com pós-graduação e MBA pelo Institut Superieur de Gestion (ISG-Paris) e OPM pela Harvard Business School, Ronaldo Nuzzi é sócio da Thompson Management Horizons. Há mais de 25 anos, atua com consultoria de gestão estratégica em projetos, no Brasil e no Exterior, envolvendo turnaround de médias e grandes empresas, reposicionamento mercadológico de divisões e de produtos, acompanhamento de processos de M&A, restruturação financeira, implementação de Centros de Serviços Compartilhados, entre inúmeras outras especializações. Antes de fazer parte da TMH, foi consultor sênior da Booz Allen & Hamilton e consultor da Ernst & Whinney (atual EY). É autor dos livros “8 Estratégias Imprescindíveis para o sucesso de uma empresa” e “Venda Certa”.
Por Ronaldo Nuzzi
Por Ronaldo Nuzzi
Graduado em Matemáticas Aplicadas pela PUC-SP, com pós-graduação e MBA pelo Institut Superieur de Gestion (ISG-Paris) e OPM pela Harvard Business School, Ronaldo Nuzzi é sócio da Thompson Management Horizons. Há mais de 25 anos, atua com consultoria de gestão estratégica em projetos, no Brasil e no Exterior, envolvendo turnaround de médias e grandes empresas, reposicionamento mercadológico de divisões e de produtos, acompanhamento de processos de M&A, restruturação financeira, implementação de Centros de Serviços Compartilhados, entre inúmeras outras especializações. Antes de fazer parte da TMH, foi consultor sênior da Booz Allen & Hamilton e consultor da Ernst & Whinney (atual EY). É autor dos livros “8 Estratégias Imprescindíveis para o sucesso de uma empresa” e “Venda Certa”.