80% das carreiras atuais não existirão mais em 2030, veja quais as profissões do futuro

Thompson

Consultoria será cada vez mais uma das profissões do futuro no mercado de trabalho. Se você ainda não pensou em ser um consultor empresarial, coloque essa opção em seu radar.

Se você já ouviu as palavras “desemprego tecnológico”, se prepare, você vai ouvir muito mais nos próximos anos. A tecnologia está automatizando trabalhos anteriormente realizados por pessoas em uma rapidez gigantesca, e as profissões do futuro terão que acompanhar esse avanço.

O avanço tecnológico e o impacto nas profissões do futuro

O emprego de carteira assinada está com os dias contados, mesmo que a grande maioria das pessoas ainda não se deu conta disto. Se voltarmos 150 anos, uma viagem de mil quilômetros seria uma programação para um mês de trabalho.

Hoje se consegue ir e regressar no mesmo dia em distâncias como esta. Em 10 anos teremos os carros autômatos (driverless cars), que vão prescindir de motoristas. Taxistas, motoristas de caminhão, e motoristas em geral; perderão seus empregos. Possivelmente esta revolução acabará também com a indústria automobilística, seguros de automóveis, empresas de aluguel de veículos, empresa de lavagem de automóveis, empresas de estacionamentos e valet, e inúmeras outras.

Possivelmente as entregas serão realizadas por drones, e a agricultura também será controlada por eles. Ou seja, tudo o que necessite de um acompanhamento constante de médias distâncias poderão ser realizadas por veículos aéreos não tripulados e controlados remotamente.

Em mais alguns anos outra grande mudança será na manufatura, com a entrada de impressoras 3D baratas, acessíveis para ter em casa como mais um eletrodoméstico. Muito do que compramos em lojas será produzido em casa. A indústria plástica, ornamental, peças, armazenamento, roupas, sapatos, e tudo o que puder ser impresso em casa estará na lista de empregos a desaparecerem no futuro. Os equipamentos 3D também vão chegar à construção civil, uma das áreas que mais emprega pessoas no mundo.

A inclusão de inteligência artificial é outro processo disruptivo, pois empregos como advogados, jornalistas, nutricionistas, contadores, auditores, psicólogos e uma infinidade de profissões que dependem da recepção da informação, processamento e diagnóstico estarão fadadas a serem substituídas pelo próximo “Watson” (nome dado ao computador de inteligência artificial desenvolvido pela IBM). 

Terceirização de serviços e o benefício de terceirizá-los

O executivo ou proprietário de uma empresa deveria se fazer a seguinte pergunta: “O que de tudo o que faço não poderia de maneira alguma ser realizado por um terceiro?”. Essa lista é o que chamamos de competências essenciais da empresa.

Tudo o que estiver nessa lista deve ser realizado pela empresa e todos os investimentos devem ser canalizados para fazer mais e melhor essas atividades. Tudo o que for feito pela empresa e não estiver nessa lista pode ser terceirizado. Ou melhor, DEVE ser terceirizado.

Em mercados maduros, como por exemplo o mercado norte americano, as empresas se especializam em terceirizar as atividades que na maioria das empresas não são consideradas essenciais.

Ninguém discutiria a terceirização dos serviços de portaria, limpeza, manutenção, e outras atividades que normalmente já são normalmente terceirizadas. Mas e atividade de pesquisa por exemplo?

O futuro será definido por empresas cada vez mais focadas em suas atividades essenciais e um grupo cada vez maior de prestadores de serviços que apoiam essas empresas.

Se analisarmos o mercado automotivo, isso já ocorre. Uma montadora, como o nome já diz, é responsável em montar o veículo. A TOYOTA por exemplo, desenha um veículo, detalha todas as peças necessárias, e distribui para serem confeccionadas por esses fornecedores credenciados.

Na última década as montadoras identificaram que a competência essencial delas é gerenciar a montagem dos veículos, não os montar. Logo, colocar as peças nos veículos deveria ser responsabilidade das próprias empresas fornecedoras que as produziram.

Um conceito de células existe hoje em todas as fabricas de todas as montadoras. No futuro esse conceito será cada vez mais estendido. Os benefícios de focar no que se faz melhor e que é a competência da empresa são enormes.

A empresa trabalha com menores custos e uma complexidade administrativa menor. Esse movimento de terceirização com a adição de inteligência artificial as bandas 5G e robotização tem tudo para ser a revolução industrial 5.0.

Profissões do futuro: a consultoria empresarial

Uma das carreiras que estará salva desse redemoinho será a consultoria empresarial. Um executivo de uma empresa poderá consultar o Watson para tomar uma decisão sobre duas ou mais opções existentes para a solução de um problema, mas precisará de consultores para ajudá-lo a definir essas opções.

O consultor empresarial continuará a ser utilizado pelas empresas em três situações: 

1. A empresa não sabe fazer

Com o advento de inteligência artificial, e tudo o que estará disponível no futuro, será muito difícil para uma empresa não saber fazer alguma coisa. Mas ainda será necessário “alguém” para incluir todas as informações de uma forma lógica no computador com inteligência artificial para obter as respostas”. O profissional que incluirá todas as informações para obter as opções serão consultores empresariais. 

2. A empresa sabe fazer, mas não quer fazer

A questão política de uma mudança não estará fora da equação. Ainda será necessário que “alguém” assuma a “culpa” pelas mudanças, e quando esse profissional sair da empresa, com ele também saia a responsabilidade do que foi necessário fazer para mudar. Por exemplo, um computador com inteligência artificial pode reduzir drasticamente um setor de telemarketing de uma empresa. Demitir um contingente grande de profissionais normalmente gera um desgaste, que os executivos preferem não ter.

A consultoria entrará na empresa, fará o que tem que fazer, e quando ela finalizar o projeto e sair da empresa, saem com ela todas as referências sobre a demissão em massa ocorrida.

Isso não vai deixar de existir. 

3. A empresa sabe fazer, mas não tem braços para fazer

As mudanças vão acelerar nas empresas. O executivo terá que decidir se tira um profissional de sua atividade na empresa para auxiliar na implementação da mudança. Mas essa decisão sempre será difícil, pois o rendimento da empresa pode ficar comprometido. Portanto a contratação de consultores para a execução de projetos com prazos definidos será sempre uma melhor opção.

Como ser um consultor empresarial?

Independente do que acontecer no futuro, o empresário ainda necessitará discutir suas opções com “alguém” que tenha a competência para entender as tendências de mercado e orientá-lo.

A empresa é formada de pessoas, e por mais que o futuro esteja orientado por hardwares e softwares, a cabeça por trás de qualquer ideia será ainda um ser humano.

Podemos no futuro ter empresas de apenas um profissional que serão muito mais relevantes do que o profissional individual de hoje. Mas independente do formato das empresas a consultoria empresarial sempre continuará a existir.

Desde o momento de transformar uma ideia em uma empresa ou transformar uma empresa já existente em uma empresa melhor e mais competitiva.

Se no presente os erros podem ser absorvidos nas empresas, em um futuro não muito longe esses erros já não serão mais admitidos. Nos EUA já é assim, não existe espaço para amadores.

Amador não é um termo pejorativo, “amador é aquele que faz por amor”. Só amor no que faz não será mais suficiente. Sem um plano estratégico detalhado e bem conduzido, nos EUA é tragédia na certa.

Quando fiz um trabalho junto a uma empresa americana de internacionalização de empresas, assisti várias empresas brasileiras de sucesso no Brasil não resistir seis meses nos EUA.

Esse conceito será expandido para todos os lugares, a globalização vai se encarregar disso. Consultoria empresarial já faz parte da empresa desde a sua concepção até todos os seus momentos de mudança de patamares de gestão.

A crescente demanda de profissionais para a consultoria empresarial

Como a consultoria empresarial é muito ampla e uma ciência muito nova, as escolas de administração não estão preparadas para esse tipo de formação.

Harvard é a escola de administração que está mais perto do que é necessário para formar consultores empresariais. Eu estudei em Harvard de 2013 a 2015, e analisei em detalhe o processo de transformar decisões de negócio em casos a serem estudados pelos participantes do programa.

No meu entendimento, somente com a discussão de problemas, de cenários e das necessidades de mudanças nas empresas é possível ensinar para uma pessoa a teoria por trás da consultoria empresarial.

Após essa experiência em Harvard, revolucionamos o FCT (Formação de Consultores Thompson) para ser um programa baseado em casos de transformação.

Nos casos utilizamos a experiência adquirida em 27 anos de projetos desenvolvidos no Brasil pela THOMPSON. Incluímos também casos de vários locais do mundo, para ilustrar as diferenças no processo decisório conforme cultura empresarial.

Em resumo, o mundo está no linear de uma grande mudança cultural. A pandemia auxiliou nesse processo, pois confirmou que as pessoas podem ser produtivas trabalhando remotamente.

Todas as inovações tecnológicas farão em um curto espaço de tempo parte de nosso cotidiano. Ser um consultor empresarial será cada vez mais uma carreira de futuro no mercado de trabalho. Se você ainda não pensou em ser um consultor empresarial, coloque essa opção em seu radar.

Por Ronaldo Nuzzi
Por Ronaldo Nuzzi
Graduado em Matemáticas Aplicadas pela PUC-SP, com pós-graduação e MBA pelo Institut Superieur de Gestion (ISG-Paris) e OPM pela Harvard Business School, Ronaldo Nuzzi é sócio da Thompson Management Horizons. Há mais de 25 anos, atua com consultoria de gestão estratégica em projetos, no Brasil e no Exterior, envolvendo turnaround de médias e grandes empresas, reposicionamento mercadológico de divisões e de produtos, acompanhamento de processos de M&A, restruturação financeira, implementação de Centros de Serviços Compartilhados, entre inúmeras outras especializações. Antes de fazer parte da TMH, foi consultor sênior da Booz Allen & Hamilton e consultor da Ernst & Whinney (atual EY). É autor dos livros “8 Estratégias Imprescindíveis para o sucesso de uma empresa” e “Venda Certa”.
Por Ronaldo Nuzzi
Por Ronaldo Nuzzi
Graduado em Matemáticas Aplicadas pela PUC-SP, com pós-graduação e MBA pelo Institut Superieur de Gestion (ISG-Paris) e OPM pela Harvard Business School, Ronaldo Nuzzi é sócio da Thompson Management Horizons. Há mais de 25 anos, atua com consultoria de gestão estratégica em projetos, no Brasil e no Exterior, envolvendo turnaround de médias e grandes empresas, reposicionamento mercadológico de divisões e de produtos, acompanhamento de processos de M&A, restruturação financeira, implementação de Centros de Serviços Compartilhados, entre inúmeras outras especializações. Antes de fazer parte da TMH, foi consultor sênior da Booz Allen & Hamilton e consultor da Ernst & Whinney (atual EY). É autor dos livros “8 Estratégias Imprescindíveis para o sucesso de uma empresa” e “Venda Certa”.